Quando a FIV é indicada?

A fertilização in vitro (FIV) é um dos tratamentos mais conhecidos da reprodução assistida. Mas uma dúvida muito comum entre quem está tentando engravidar é: quando a FIV realmente é necessária?

Nem toda dificuldade para engravidar significa que será preciso recorrer à fertilização in vitro. Existem diferentes tratamentos para engravidar, e a escolha depende de fatores como idade, reserva ovariana, condições das trompas, qualidade do sêmen, tempo de tentativas e histórico reprodutivo.

Por isso, antes de indicar qualquer tratamento, o primeiro passo é investigar as possíveis causas da dificuldade para engravidar.

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O que é a FIV?

A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida em que o encontro entre óvulo e espermatozoide acontece em laboratório. A FIV faz parte das técnicas de reprodução assistida utilizadas para diferentes situações relacionadas à infertilidade, como explica a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

Durante o tratamento, os ovários são estimulados para favorecer o desenvolvimento de folículos. Os óvulos são coletados e fertilizados em laboratório. Os embriões formados são acompanhados durante os primeiros dias de desenvolvimento e, posteriormente, um embrião pode ser transferido para o útero.

Os demais embriões que apresentarem condições adequadas podem ser congelados para utilização futura.

Embora seja uma técnica importante da medicina reprodutiva, a FIV não é necessariamente o primeiro tratamento indicado para todas as pessoas que apresentam dificuldade para engravidar.

Em quais casos a FIV pode ser indicada?

A indicação da FIV depende de uma avaliação individual. Algumas situações, no entanto, aparecem com maior frequência na prática clínica.

Alterações nas trompas

As trompas têm um papel fundamental na gravidez natural, pois é nelas que normalmente acontece o encontro entre o óvulo e o espermatozoide.

Quando existem obstruções, alterações importantes ou ausência das trompas, esse processo pode ficar comprometido.

Como na FIV a fecundação ocorre em laboratório, o tratamento permite contornar parte dessa dificuldade.

Idade materna

A idade feminina é um dos principais fatores relacionados à fertilidade.

Com o passar dos anos, ocorre uma redução natural da quantidade de óvulos disponíveis e também da proporção de óvulos com potencial reprodutivo. Essa mudança se torna mais significativa principalmente após os 35 anos.

Isso não significa que toda mulher acima dessa idade precise realizar uma FIV.

No entanto, dependendo da idade, do tempo de tentativas e dos resultados da avaliação da fertilidade, pode ser importante evitar a realização prolongada de tratamentos com menor probabilidade de sucesso.

Baixa reserva ovariana

A reserva ovariana está relacionada à quantidade de folículos disponíveis nos ovários e pode ser avaliada por meio da combinação de idade, ultrassonografia com contagem de folículos antrais e exames como o hormônio anti-Mülleriano (AMH).

Ter baixa reserva ovariana não significa, por si só, impossibilidade de engravidar naturalmente.

Entretanto, esse resultado pode influenciar a estratégia de tratamento, principalmente porque o tempo reprodutivo passa a ter uma importância ainda maior.

Alterações no sêmen

A dificuldade para engravidar também pode estar relacionada a fatores masculinos.

Alterações importantes na quantidade, movimentação ou características dos espermatozoides podem reduzir as chances de fecundação natural.

Em alguns desses casos, a FIV pode ser associada à ICSI, técnica em que um espermatozoide é introduzido diretamente no óvulo em laboratório.

Por isso, a investigação da fertilidade deve considerar o casal, e não apenas a mulher.

Endometriose

A endometriose pode interferir na fertilidade de diferentes formas.

Dependendo da localização e da extensão da doença, podem existir alterações anatômicas, aderências, comprometimento das trompas ou outros fatores capazes de dificultar a gravidez.

Ainda assim, ter endometriose não significa necessariamente precisar de FIV.

A idade, a reserva ovariana, o tempo de tentativa, a extensão da doença e a presença de outros fatores de infertilidade precisam ser avaliados antes de definir o tratamento.

Infertilidade sem causa aparente

Em alguns casos, os exames iniciais não identificam uma causa específica para a dificuldade de engravidar. Essa condição é conhecida como infertilidade sem causa aparente (ISCA).

A estratégia nesses casos depende principalmente da idade, do tempo de infertilidade e dos tratamentos já realizados.

Quando outras abordagens não apresentam resultado ou quando o tempo reprodutivo é um fator importante, a FIV pode ser considerada.

Falha de outros tratamentos para engravidar

A fertilização in vitro também pode ser indicada quando tratamentos de menor complexidade não apresentaram o resultado esperado.

Entre eles estão:

  • indução da ovulação;
  • coito programado;
  • inseminação intrauterina.

Não existe, porém, um número de tentativas que funcione como regra para todas as pessoas.

A decisão de avançar para uma FIV deve considerar o diagnóstico, a idade, a reserva ovariana e a probabilidade de sucesso de continuar com a estratégia anterior.

FIV para casais de mulheres

A fertilização in vitro também pode fazer parte do planejamento reprodutivo de casais formados por duas mulheres.

Uma das possibilidades é o método ROPA, também conhecido como gestação compartilhada.

Nesse tratamento, uma das mulheres participa fornecendo os óvulos, enquanto a outra recebe o embrião formado e conduz a gestação.

Dependendo das características e do desejo do casal, também podem ser consideradas outras possibilidades, como a inseminação intrauterina com sêmen de doador.

A avaliação médica ajuda a definir qual estratégia é mais adequada.

FIV para produção independente

Mulheres que desejam engravidar por meio de uma produção independente também podem recorrer às técnicas de reprodução assistida com sêmen de doador.

A FIV é uma das possibilidades, mas não é a única.

Dependendo da idade, reserva ovariana, condições das trompas e histórico reprodutivo, a inseminação intrauterina também pode ser considerada.

Preciso fazer FIV porque não consigo engravidar?

Não necessariamente.

Existem diferentes tratamentos para engravidar, e a fertilização in vitro representa apenas uma das possibilidades.

Dependendo da causa identificada, podem ser considerados desde tratamentos de menor complexidade até técnicas de reprodução assistida como a FIV.

Por isso, antes de escolher um tratamento, é importante responder a uma pergunta anterior:

Por que a gravidez ainda não aconteceu?

A investigação da fertilidade permite identificar possíveis fatores envolvidos e escolher uma estratégia compatível com aquele momento da vida reprodutiva.

Quando procurar um especialista em reprodução humana?

De maneira geral, mulheres com menos de 35 anos podem procurar avaliação após 12 meses de tentativas regulares para engravidar sem o uso de métodos contraceptivos.

A partir dos 35 anos, a investigação costuma ser recomendada após cerca de 6 meses de tentativas.

Em algumas situações, não é necessário esperar esse período.

Uma avaliação mais precoce pode ser indicada quando existem fatores como:

  • ciclos menstruais irregulares;
  • ausência de menstruação;
  • endometriose;
  • alterações conhecidas nas trompas;
  • histórico de cirurgias ovarianas ou pélvicas;
  • suspeita de baixa reserva ovariana;
  • alterações importantes no espermograma;
  • histórico de tratamento oncológico;
  • idade materna mais avançada.

Buscar um especialista não significa necessariamente iniciar uma FIV. A consulta serve, antes de tudo, para entender a fertilidade e investigar o que pode estar dificultando a gravidez.

Quais exames podem ser solicitados antes da FIV?

Não existe um único exame que determine a necessidade de fertilização in vitro.

A investigação pode incluir, dependendo de cada caso:

  • ultrassonografia transvaginal;
  • contagem de folículos antrais;
  • dosagem do hormônio anti-Mülleriano (AMH);
  • exames hormonais;
  • avaliação das trompas;
  • avaliação da cavidade uterina;
  • espermograma;
  • outros exames complementares quando houver indicação.

Além dos resultados dos exames, idade, histórico clínico, tempo de tentativas e tratamentos anteriores também fazem parte da decisão.

Qual é a chance de sucesso da FIV?

Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório, mas não existe uma porcentagem única que represente todos os tratamentos.

As chances de sucesso da FIV variam de acordo com fatores como idade da mulher, reserva ovariana, quantidade e características dos óvulos obtidos, qualidade dos espermatozoides, desenvolvimento embrionário, condições uterinas e diagnóstico relacionado à infertilidade.

Por isso, comparar a própria situação com a experiência de outras pessoas pode gerar expectativas que não correspondem ao seu caso.

Na reprodução humana, cada tratamento precisa ser avaliado individualmente.

Existem outros tratamentos além da FIV?

Sim.

Dependendo do diagnóstico, algumas das possibilidades dentro da reprodução humana incluem:

  • indução da ovulação;
  • coito programado;
  • inseminação intrauterina;
  • fertilização in vitro.

O tratamento mais complexo não é necessariamente o melhor tratamento.

Em alguns casos, uma estratégia mais simples pode apresentar uma boa indicação. Em outros, insistir durante muito tempo em tratamentos de menor complexidade pode representar perda de um tempo reprodutivo importante.

A escolha deve considerar o diagnóstico e as características individuais de cada paciente ou casal.

Afinal, quando a FIV é indicada?

A FIV pode ser indicada em casos de alterações nas trompas, determinados fatores de infertilidade masculina, endometriose, baixa reserva ovariana, idade reprodutiva mais avançada, infertilidade sem causa aparente ou após falhas de outros tratamentos para engravidar.

Ela também pode fazer parte do planejamento reprodutivo de casais de mulheres e de mulheres que desejam uma produção independente.

Mas não existe uma indicação universal.

A decisão deve ser tomada a partir de uma avaliação completa da fertilidade, considerando diagnóstico, idade, histórico e objetivos reprodutivos.

Se você está tentando engravidar e ainda não sabe qual caminho seguir, o primeiro passo é investigar.

Dr. Felipe Konotop
Ginecologia e Reprodução Humana
Ipanema, Rio de Janeiro

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